terça-feira, 27 de agosto de 2013

O POETA JOSÉ AUGUSTO DE BRITO


O poeta José Augusto de Brito nasceu em Pilar (PB) em 01 de agosto de 1919 e morreu em 2010, na cidade de João Pessoa, com noventa e um anos de idade.   

José Augusto de Brito veio de uma família humilde, mas trabalhadora. Foi agricultor, professor, poeta, cronista, historiador, Coletor Fiscal, vereador e prefeito (por dois mandatos) da terra de José Lins do Rego. 



Publicou sete livros de crônicas e poesias, são eles: Vidas Paralelas; Canções do Entardecer; Sem Água, Sem Rio Sem Verde; Pilar; Memórias de um Aprendiz de Nada; Pilar é História e Pingolenço - Um Tributo à Arte. Tornou-se membro da Academia Paraibana de Poesia. Durante vários anos foi cronista do Jornal O Norte, onde conquistou fieis leitores que adoravam as suas crônicas sobre “causos” acontecidos no Vale do Paraíba.



Certa vez questionado sobre o que lhe motivava a publicar tantas crônicas na imprensa estadual, ele respondeu: “Tudo o que escrevo é para enaltecer a minha pequenina e gigante Pilar”.

Foi um grande estudioso da obra de José Lins do Rego, para a qual dedicou alguns ensaios literários, publicado em seus dois livros de crônicas: Pilar, e Pilar é História.


Os livros de “Zé Augusto”, como ele era chamado por populares, são de riquíssimo valor literário, e precisam ser reeditados e utilizados na rede municipal de ensino. É preciso que haja uma iniciativa, um projeto aprovado pela Câmara Municipal de Pilar e executado pelo poder executivo, para que a obra de nosso poeta seja estudada em sala de aula, pelos alunos de sua terra natal.



“Zé Augusto” é digno também de outra homenagem expressiva: de um busto em uma praça. Pois todas as homenagens são poucas para quem tanto amou e cantou a sua terra natal, nos quatro cantos do Estado, como o seu maior tesouro.

Antonio Costta
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Alguns sonetos de José Augusto de Brito:


PILAR

 
Oh Pilar, meu amigo verdadeiro,
Tu me viste crescer e ficar homem,
Se foi para ti meu primeiro sono,
Pra ti reservo o sono derradeiro.

No teu seio aprendi a ser feliz,
Nas tuas noites encontrei o amor,
No teu regaço conheci a Beatriz,
Nos teus campos colhi a primeira flor.

No teu rio foi o meu primeiro banho,
Na tua lua foi o meu primeiro sonho,
Na Rua do Silva os meus primeiros passos.

Passou o tempo, não passou o sonho,
Por isso, meu Pilar, eu te proponho:
Ampara minha queda nos teus braços.


ALMA PILARENSE

 
Naquele sábado de poesia,
O violão desfila em serenata,
Com Zé de Heleno até o fim do dia,
Nos dedos e na voz uma cascata.

É o Pilar palpitando em melodia,
É o coração de Diu que desata,
É a família reunida na alegria,
Relembrando a distância que maltrata.

É a comunhão de todo o pilarense
No grande altar do amor e da saudade,
Extravasada na voz e no violão.

É a força do Pilar que ninguém vence,
É o entrelaçamento da amizade
A cantar na tua alma, meu irmão.


VIDAS QUASE PARALELAS

 
Meu velho Paraíba, amigo e protetor,
Teu abraço primeiro ao meu primeiro banho,
Causou em mim um frenesi estranho,
Um verdadeiro arroubo, um verdadeiro amor.

Caminhamos então lado a lado em fervor,
Tu em grande missão, eu em busca de sonho,
Tu dando de beber com um afã tamanho...
E eu em ti matando a sede e o calor.

Marchamos assim juntos em cada pensamento
Não esqueci de ti na vida um só momento,
Carrego o coração quase preso a tua sorte.

Badalando ao ouvido ouço um estranho sino,
Pequena diferença há no nosso destino,
Tu correndo p´ra o mar, eu correndo para a morte.


SAUDADE

 
No meu inverno há um pássaro que canta
A canção que ficou da primavera,
Uns o chamam saudade, outros, quimera,
Não sei então como chamá-lo, tanta

É a magoa interior que nos espanta,
E que em moço a gente nunca espera
Seja tão envolvente como a hera
E que como miragem desencanta.

Este pássaro tem o cantar tão triste
Que nenhuma criatura humana resiste
Ouvi-lo sem soltar o pranto quente.

De tudo quanto sei do passarinho,
É que machuca assim devagarinho:
A cantar, a cantar indiferente.

Reações:

4 comentários:

Luis Augusto De Brito França disse...

Um grande homem público, um grande avô, um grande exemplo de vida. Só lembrando que algumas das ações dos 2 mandatos de José Augusto, ainda beneficiam e muito a nossa população pilarense.José Augusto mostrou-se um prefeito compromissado com Pilar, com um olhar empreendedor e futurista,isso é legado,isso é história e ninguém pode esconder e negar.Saudades.

Damião Ramos Cavalcanti disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Damião Ramos Cavalcanti disse...

Prezado poeta Antonio Costta, Fotos e comentários sobre José Augusto de Brito são para mim emocionantes. José Augusto sempre foi para mim um exemplo de cidadão, um mestre na arte de escrever com que descrevia as maravilhas da nossa terra natal, Pilar; exímio conhecedor de José Lins do Rego com quem se encontrou muitas vezes, bem pessoalmente. Esta minha admiração sempre se alimentou pelo amor a sua pessoa, enquanto meu tio, casado com minha adorável tia Emília, irmã do meu inesquecível pai, Inácio Ramos Cavalcanti.

Antonio Costta disse...

Grato, meu dileto amigo Damião Cavalcanti.

É nosso dever cantar a nossa terra com tudo o que ela tem de melhor. O poeta José Augusto de Brito foi, sem dúvida alguma, um dos filhos mais brilhantes e dedicados à nossa querida Pilar!

Um fraternal abraço.

HINO OFICIAL DE PILAR- cantado por José Cosmo de Souza

HINO OFICIAL DE PILAR - cantado por Jordânia Borges