domingo, 12 de novembro de 2017

FOTOS E POEMAS SOBRE PILAR (PB)




























O engenho de Zé Lins
não deixe de visitar,
onde a fumaça do boeiro
se expandia pelo ar
com o cheiro do melaço
nos tachos a cozinhar.
Venha ver a Casa Grande
onde agora se expande
a cultura de Pilar!

Poeta Antonio Costta


POEMAS PILARENSES


NO CHÃO DA SAUDADE
  
Prossigo sereno revendo a história
No vasto terreno do chão da memória.
Tão cheio de terra brincando no chão
De bola de gude, carrinho e pião.

Lá pego canário com meu alçapão,
Lá pesco piaba com meu jereré;
Facheio rolinha com meu lampião
E brinco de bola imitando Pelé!...

Lá faço brinquedos de tábua, de lata,
E sei tirar mel de abelha na mata!
Sou bem mais feliz — não posso negar...

Onde fica esse chão? em que tempo? espaço?
No chão da memória me perco e me acho...
— Chão da saudade da velha Pilar!...

Antonio Costta
Pilar (PB)


ÁGUAS DA POESIA

                                        À minha terra, Pilar.
Já procurei te esquecer,
Mudar de assunto, evitar,
Pra não estar te lembrando
Quando de amor vou falar.

Mas as águas da poesia,
Onde vivo a navegar,
São como as do Paraíba:
Têm que passar por Pilar!

Têm que passar sussurrando,
Têm que passar desejando,
Querendo te conquistar...

Mesmo quando, em desatino,
Numa enchente do destino,
Seguem soltas para o mar!

Antonio Costta
Pilar (PB)


O SABOR DA MINHA TERRA
  
Gosto de caldo de cana madura,
Gosto também de feijão com farinha;
Quem nunca comeu uma raspadura
Não sabe o sabor da minha terrinha!

Gosto de comer, com nambu e rolinha,
Inhame, batata, fava, macaxeira;
Quem nunca comeu picado na feira,
Não sabe o sabor da minha terrinha.

Buchada de bode? — deixa-me louco!
Quem nunca provou traíra de coco,
Mocotó de boi, pirão de galinha...

Não sabe o sabor, não sabe o segredo,
Da terra natal de Zé Lins do Rego...
— O grande sabor da minha terrinha!

Antonio Costta
Pilar (PB)


COMO POSSO ESQUECER A MINHA TERRA?

Como posso esquecer a minha terra
Que provoca dentro em mim tanto apego?
Meu torrão, meu lugar, meu aconchego...
Meu Pilar que tanta beleza encerra!

Como posso esquecer a minha terra
Que me dá tanto prazer quando chego,
Vendo o mundo rural de Lins do Rego
Que a rústica paisagem desenterra.

Como posso esquecer-me deste chão
Que revigora, em meu peito, o coração
E me faz decantá-lo, como meta...

Se for para esquecer, um só momento,
O torrão em que nasci — eu lamento —
Mas prefiro esquecer que sou poeta!

Antonio Costta
Pilar (PB)


CIDADE MÃE
  
Se vocês não sabem
Agora eu vou contar
Que Pilar já foi grande
Pois até Campina Grande
Pertenceu a Pilar!

As suas terras se estendiam
No período colonial
De Cruz do Espírito Santo
Às divisas de Pombal!

Mas os anos foram passando
E seus filhos foram crescendo
E novas cidades foram
No seu solo aparecendo.

Pois Itabaiana e Gurinhém,
Caldas Brandão (o Cajá)
E Cruz do Espírito Santo
Todos pertenceram a Pilar.

Sem falar em Juripiranga,
A Serrinha popular,
E São Miguel de Taipú,
Terra do Itapuá.

E, por último, São José dos Ramos
Também quis se libertar;
E Pilar foi se tornando...
Somente a nossa Pilar!

Pilar nasceste grande
E teu amor sempre nos põe;
Pilar terra querida,
Pilar Cidade Mãe!

Antonio Costta
Pilar (PB)

  
VISITANDO MINHA TERRA

Vou depressa, vou depressa,
com vontade de chegar;
Visitar a minha terra,
A cidade do Pilar.

E como é bela a visão
que começo a contemplar;
o Alto da Conceição
E seu rio a lhe banhar.

O Museu, a praça, amigos
para a gente conversar;
A cidade é tão pequena,
mas é grande pra contar!

Tem lembranças amorosas
para a gente recordar;
tem histórias de heróis
que morreram a lutar!

Tem poetas, escritores,
conhecido nos confins;
Meu Pilar sente orgulho
de ser Terra de Zé Lins!

Vou depressa, vou depressa,
Com vontade de chegar;
Vou matar minha saudade
da cidade do Pilar!

Tô chegando, tô chegando,
pra rever o meu Pilar;
quem visita essa cidade
Tem vontade de ficar!

Antonio Costta
Pilar (PB)
  

MINHA PILAR, PARABÉNS!

Minha jóia, meu diamante,
A terra que a todo instante
Recordo na minha vida;
Em ti projeto a lembrança
Do meu tempo de criança
Na Chã de Areia querida!

Minha terra tão pequena
Quem dera neste poema
O meu amor expressar;
Num verso puro e sereno,
No meu cantar tão pequeno,
Quero pra sempre te amar!

Quem dera viver contigo
Nas asas do teu abrigo
Sem temer qual seja a sorte;
Muito mais feliz seria
Vivendo aqui todo dia,
Até chegar minha morte!

Que Deus te abençoe, minha terra,
Que reine a paz não a guerra
Neste pedaço de chão;
Que não apenas te enganem,
Mas que as pessoas te amem
De todo seu coração!

Que a Paraíba não pare,
Que o governo declare
Fazer-te bem mais notória;
Sem nenhum demagogismo
Desenvolver o turismo,
Porque Pilar é história!

Por José Lins que é da gente,
Manoel Xudú no repente,
Zé Augusto na poesia;
Minha Pilar tão formosa,
Eu te ofereço esta rosa...
Meus parabéns neste dia!

Pela bravura do povo,
Pelo sonhar com um novo
Tempo, melhor do que tens;
Pra o velho, o jovem e a criança,
Por não perder a esperança,
Minha Pilar... Parabéns!!!

Antonio Costta
Pilar (PB)


EU SOU DA TERRA

Eu sou da terra da jaca,
Do inhame e da macaxeira;
Eu sou da terra da cana
Caiana que é de primeira!

Eu sou da terra da manga,
Do caju, da goiabeira;
Eu sou da terra do coco,
Do cajá, da pitombeira.

Eu sou da terra da fava,
Do feijão verde-ligeiro;
Do quiabo e do maxixe
Que bota até no terreiro!

Sou da terra da buchada,
Da tapioca e beiju,
Da terra de José Lins
E do poeta Xudu!

Eu sou da terra querida
De Damião Cavalcanti,
De Zé Augusto de Brito,
Outro poeta brilhante!

Eu sou da terra do verso,
Da terra da poesia,
Do poeta João Lourenço,
Também de Riso Maria.

Eu sou da terra de Lita
Que todo mundo recorda,
Eu sou da terra de Odete
Que canta Coco de Roda!

Eu sou da terra do Zé
Cosmo com seu violão;
Também de Jordânia Borges
Que canta nossa canção!

Eu sou da terra de Júlio
Com seu “Cavalo Marinho”,
Do artesão Seu Birico,
Do cirandeiro Raminho.

Eu sou da terra de Alceu
Com natureza bucólica;
Eu sou da terra de Lando,
Essa figura folclórica!

Eu sou da terra, do barro,
Eu sou de Chã de Areia;
Por essa terra me amarro...
Viva Pilar, minha aldeia!

Antonio Costta
Pilar (PB)


 CHIBATA PRETA

Quem é que não se lembra
De uma negra, Chibata,
Que morava na Estação
E cozinhava em uma lata?

Eu vinha de Chã de Areia,
Por Figueiredo passava,
E chegando na Estação
Chibata Preta encontrava!

Conhecida por Chibata,
Chibata, Chibata Preta,
A pobrezinha, coitada,
Não tinha posses nem letra!

Era uma pobre indigente
Que morava bem ao léu;
Tinha por cama - o chão,
E por cobertor - o céu!

Um amontoado de lixo
Na margem daquela rua;
Era a “casa” da Chibata
Iluminada pela lua...

E por que “Chibata Preta”,
Também queres entender?
N’era porque tinha uma chibata
Pra si mesma defender.

Era porque a pobrezinha,
Que cozinhava em uma lata,
Era magra e pretinha
Parecendo uma chibata!...
  
Era a Chibata Preta
Conhecida do Pilar
E também da região
Que vinha nos visitar.

Era o terror das crianças
Aquela negra Chibata,
Que morava na Estação
E cozinhava em uma lata!...

Mas um dia a pobrezinha
Partiu da nossa cidade;
Pois passava frio e fome,
Tamanha necessidade!

E Pilar ainda se lembra,
E alguns sentem saudade;
Daquela mulher pretinha...
Que partiu pra eternidade!

Antonio Costta
Pilar (PB)


 TROVAS PILARENSES
  
Eu sou filho do Pilar,
Meu torrão, meu aconchego;
Como amo este lugar,
Terra de Zé Lins do Rego!

Minha terra é pequenina,
Mas encanta o mundo inteiro,
Pois Pilar em prosa e rima
Honra o solo brasileiro!

De prazer minh’alma canta
Quando vejo o meu Pilar;
Saltam versos da garganta
Sem vontade de parar!...

Quem nunca escreveu um verso
Em Pilar fica inspirado,
Contemplando o universo
De Zé Lins com seu passado.

Faço um verso de repente,
De repente faço um verso;
Só pra cantar minha gente,
Meu torrão, meu universo!

Pilar terra nordestina,
Meu rubi, meu diamante;
És tão bela e pequenina,
Mas, pra nós, tu és gigante!

Pilar terra abençoada,
Melhor recanto do mundo;
És minha terra encantada
Que não esqueço um segundo.

Pilar meu torrão amado
Que Deus me deu como berço,
Quero sempre ‘stá ao seu lado,
Dedicando amor e apreço!

Oh terra da minha infância!
Da juventude também!
Faz-me sofrer a distância
Quando não ‘stou com meu bem!

Minha pequena gigante,
Oh minha terra querida!
Cantar-te-ei cada instante
Como todo amor de minh' vida.

Não trouxe um pouco de terra
Da minha terra pra mim,
Mas no meu peito se encerra
Pilar inteira, sem fim!

És a terra que prefiro,
Que Deus me deu como minha;
Como escreveu Casimiro:
“Hei de fazê-la rainha”!

Antonio Costta
Pilar (PB)


MENINO DE ENGENHO
(Poema/homenagem a José Lins do Rego)


A infância melhor
Do mundo é a que tenho,
Sou menino feliz,
Sou menino de engenho.

O Engenho Corredor
É meu palco de amor,
Pois na bagaceira
É que tem brincadeira,
Com o Moleque Ricardo
É que aposto carreira.
E é na Casa Grande
Que tem um pomar,
Que têm pés de banana,
Têm pés de cajá,
Têm pés de pitomba
E tem Zefa Cajá!...

A infância melhor
Do mundo é a que tenho,
Sou menino feliz,
Sou menino de engenho.

Tem trem apitando,
Chegando a Pilar.
Capitão Vitorino
Querendo brigar,
Tem cheia do rio
Com tudo a arrastar,
Meu avô socorrendo
O que dá pra salvar.
Tem noite estrelada,
Tem noite medonha,
Têm história contada
Pela Velha Tontônia!
E tem cangaceiros
Por todo o terreiro,
Antônio Silvino
Querendo dinheiro.

A infância melhor
Do mundo é a que tenho,
Sou menino feliz,
Sou menino de engenho.

Sou menino treloso,
Brincando na vida,
Banhando-me nas águas
Do Rio Paraíba,
Levando capim
Pro carneiro Jasmim,
Levando uma flor
Pra Zefa Cajá,
Ouvindo cantar
O meu Marechal,
Canário da terra
Mais especial.

A infância melhor
Do mundo é a que tenho,
Sou menino feliz,
Sou menino de engenho.

Mas viro Doidinho
Quando vou estudar,
Sentindo saudades
Do velho Pilar,
Da Tia Naninha
A me consolar,
Da Velha Tontônia
No engenho a contar
Histórias bonitas
Pra gente sonhar,
Do Moleque Ricardo
Querendo brincar
E dos banhos de rio
Com Zefa Cajá!

Minha infância querida
Cantar aqui venho;
Fui menino feliz,
Fui menino de engenho.

O tempo passou
Com força de enchente,
Vi-me de repente
Sendo promotor,
Mas o menino de engenho,
Lá do Corredor,
Não quis me deixar,
Com saudade, sem par,
Lembrei meu avô,
Tornei-me escritor,
Cantei meu lugar!

Minha infância querida
Cantar aqui venho;
Fui menino feliz,
Fui menino de engenho.

Antonio Costta
Pilar (PB)



AVENTURAS DA INFÂNCIA

Eu saía pela Chã de Areia afora
Procurando um troféu, uma colmeia,
Não faltava uma aventura, uma ideia,
Na minha infância que relembro agora.

Pescar de jereré a qualquer hora,
Pegar um passarinho de alçapão;
Fazer de tábua e lata um caminhão,
Um carrinho de corrida e ir embora!

Tomar banho de rio e de cascata,
Ir caçar passarinho pela mata:
Armando uma arapuca pro nambu.

Fazer tudo que desse em nossa telha,
Esfumaçar a casa das abelhas
Pra colher o puro mel de uruçu!

Antonio Costta

Pilar (PB)

RECORDAÇÕES DA INFÂNCIA

Buscar água escanchado num jumento
Conduzindo incuretas nos cambitos;
Ouvindo o som das vacas, dos cabritos,
Dos nhambus que ecoavam pelo vento!...

Elegias que guardo no pensamento:
Ouvir a minha avó cantar benditos,
Ouvir de meu avô antigos ditos,
Anedotas e histórias de relento...

Fisgar peixes no açude ou lá no rio,
Tomar banho de chuva, sem ter frio...
Emoção que inda guardo. Indescritível...

Comer jaca no pé, manga e cajá,
Na fogueira assar milho com sinhá...
— Minha infância assim foi inesquecível!

Antonio Costta
Pilar (PB)




DA TRIBUNA DA POESIA

Da Tribuna da Poesia
Faço versos, cantoria,
Mesmo sem saber cantar;
Somente para exaltar,
Para espalhar seus encantos
Aqui, e em outros recantos,
Oh meu amado Pilar!

Da Tribuna da Poesia
Canto com gran valentia
A dor sentida do povo,
O sonho de paz, de renovo,
A esperança contida
Num olhar de uma criança,
E a força que não se cansa
Da juventude, na vida!...

Da Tribuna da Poesia
Canto de noite e de dia,
Canto de forma concreta
O desejo de poeta
Que é sempre poder cantar!
Cantar a terra e seu povo
E depois cantar de novo
O meu querido Pilar!

Antonio Costta
Pilar (PB)


DE PILAR

De Pilar trago canções,
Trago motes, cantorias,
Trago muitas emoções
Que impactaram meus dias,
Trago mil recordações
Que me inspiram poesias!

De Pilar trago meu canto,
Que de meu peito desata,
O brilho dos pirilampos,
A voz do rio, das cascatas,
As flores todas dos campos
E o perfume das matas!

De Pilar trago meu jeito
De ser poeta-menino,
Poeta que traz no peito
O badalar de um sino,
Que só badala de jeito
Quan’ de Pilar me aproximo!

De Pilar trago a saudade
De meu tempo de criança,
Com tanta felicidade
Que não me sai da lembrança!
Vivida na Chã de Areia,
Lugar de paz, de esperança!

De Pilar trago as leituras
De José Lins, escritor,
Contando suas aventuras
No Engenho Corredor,
Colocando a nossa história
Num lugar de resplendor!

De Pilar trago o repente
De Chudu, com sua viola,
Tirando versos, contente,
De dentro de sua cachola,
Versos que inda ‘stão presentes
E a nossa terra consola!

De Pilar trago meu sonho
De mudar minha cidade,
Embora o mundo medonho,
Cheio de incredulidade,
Ignore o que proponho:
Paz, amor, fraternidade.

De Pilar trago o desejo
De dá orgulho ao meu povo.
De ser poeta, sem pejo,
De ser u’a luz de renovo,
Cantando a terra que vejo,
Sonhando co'um tempo novo!

Antonio Costta
Pilar (PB)



terça-feira, 19 de setembro de 2017

ZÉ COSMO LANÇA CD EM HOMENAGEM A PILAR


No dia 14 de setembro deste 2017 o músico José Cosmo de Souza lançou o cd "Cantemos a Nossa Terra", em homenagem ao município de Pilar-PB que completou 259 anos de emancipação política. Uma noite memorável para a cultura de Pilar, inclusive recheada com um recital de poesia de poetas pilarenses.





O cd trás onze poesias musicadas e cantadas por ele, de autoria dos poetas pilarenses Antonio Costta e José Augusto de Brito. 

O cd encontra-se disponível para download gratuito neste link: https://www.suamusica.com.br/cantemosanossaterra


Veja algumas fotos do evento:

















HINO OFICIAL DE PILAR- cantado por José Cosmo de Souza

HINO OFICIAL DE PILAR - cantado por Jordânia Borges