segunda-feira, 18 de junho de 2012

PALAVRAS À LIRA DE ANTONIO COSTTA




 
PALAVRAS À LIRA DE ANTONIO
(Texto de apresentação do livro “Lira dos Quarenta Anos”)

Pilar, terra de José Lins do Rego, romancista que ao lado de José Américo de Almeida e Augusto dos Anjos completa a conhecida trilogia sagrada da literatura paraibana. Inscritos na literatura nacional, Augusto, singular poeta brasileiro, José Américo abridor da literatura regional e José Lins festejado continuador do regionalismo. Portanto, se é privilégio pisar neste solo histórico, é ousadia e glória falar ante um chão tão nobre. Fui, entretanto, convidado. Devo fazê-lo.
Na fé católica, a imagem do Cristo (Deus-homem) foi registrada no misterioso véu que colheu o suor do seu rosto e acolheu a sua vida: o Santo Sudário. Assim, imitando Jesus, percorremos um caminho secretando suores que são recolhidos nos mantos das nossas vidas. Nelas, onde transitam circunstantes. Familiares, amigos e estranhos. Enfim, todas as criaturas que conosco coabitam espaço de lídimo enredo.
Dez, vinte, trinta, quarenta anos de caminhada, apresenta-nos hoje o poeta Antonio Costta. E nesta lida inscreve a sua poesia no seu sudário. Antonio pertence ao gênero daqueles que vaticinam caminhos, os poetas. Aqueles que se comovem e, comovidos, exaltam a sua comoção. O texto que ora tenho a honra de louvar registra as suas experiências. As que acometeram o seu espírito de poeta e pulsam em linguagem nuclear. Em expressão além do mero discurso linear, língua dos espíritos, poesia.
Nessa língua é que desejo homenagear Antonio, permitindo-me traduzir sentimentos. Acreditando que a sua alma, receptáculo de lembranças, sangrou em versos. E a saudade acolheu o líquido rubro. E reminiscências, uma após outra, como um bando de pássaros, rasgaram os céus de um tempo apaixonado e condoído. E pousaram em valhacouto, ao abrigo.
Assim, senhoras e senhores, eu busco sintetizar a “Lira dos quarenta anos” de Antonio Costta, companheiro no fórum poético internacional “Poesia Pura”. Fórum onde se encontram ainda, entre tantos outros, Odir Milanez, Fernando Cunha Lima e Damião Cavalcanti, diretor do espaço em língua portuguesa e que, a exemplo de Antonio, é filho ilustre desta terra.
Pilar pertence à pequenina Paraíba. Estado que se eleva em seus talentos. Sendo mãe de Augusto dos Anjos teve a poética acima dos movimentos literários vigentes, antecipando-se no início do século XX à poesia moderna. O autor do Eu, com um discurso real e inovador com força vocabular científica e coloquial, nasceu e habitou estas cercanias, e disse de sua natureza. Lembrando o corrupião, sofreu com o pássaro preto e vermelho que se faz preto e amarelo enjaulado na gaiola.
Se Augusto, poeta universal, inscreveu o pássaro sem liberdade, o escaveirado corrupião idiota, Antonio, vizinho de Augusto, vivenciando a mesma natureza, registrou o passarinho aprisionado que canta um choro de solidão.
A poesia, inefável, contém beleza infinita e será sempre eterna, imprescindível aos homens de todos os logos, de todos os tempos. Poesia esse ente estranho. Popular ou erudita, maior ou menor, imponderável. Por assim ser, é sempre louvada.
Mas, para que serve a poesia? Ferreira Gullar nos responde: “A poesia é uma colocação diante da realidade (...) porque a única coisa que a poesia faz é comover. A poesia não cura dor de dente, não resolve problema econômico, não desintegra o átomo (...) afinal, a realidade do mundo é insuportável. Por isso se faz poesia, se faz arte, se faz música”.
Com igual sentimento, aqui viemos apresentar este livro. Celebrar com todos vocês a poesia de Antonio Costta, repertório dos seus quarenta anos. Com ele o poeta quis nos emocionar. Por isso, repito, com declarada insuficiência busquei traduzir sentimentos, sangria da carne, comoção. A emoção do poeta que nos comove!

ASTENIO CESAR FERNANDES
(Da Academia Paraibana de Letras)

FOTOS DO LANÇAMENTO DO LIVRO LIRA DOS QUARENTA ANOS, EM PILAR.

Fotos do lançamento do 5º livro de poesia do poeta Antonio Costta, realizado no dia 16 de junho de 2012, na Câmara Municipal de Pilar/PB. 
A apresentação do livro foi feita pelo poeta e escritor Dr. Astenio César Fernandes, da Academia Paraibana de Letras. Também estiveram presentes os acadêmicos: Professor Damião Ramos Cavalcanti e Dr. Fernando da Cunha Lima. O cerimonial foi dirigito brilhantemente pelo pastor Linaldo Guerra. O músico José Cosmo de Souza cantou o Hino Oficial de Pilar e alguns poemas que ele musicou do livro. 
Várrias autoridades, familiares e amigos do poeta prestigiaram o evento. 
Um momento muito especial para ser guardado no coração.









( POETA ASTENIO CESAR FERNANDES)


ANTONIO COSTTA COM O POETA DAMIÃO RAMOS CAVALCANTI



(POETA DAMIÃO RAMOS CAVALCANTI)


(POETA FERNANDO CUNHA LIMA)


(POETA ANTONIO COSTTA FAZENDO OS AGRADECIMENTOS)



PASTOR LINALDO GUERRA E OS POETAS FERNANDO CUNHA LIMA, DAMIÃO CAVALCANTI, ANTONIO COSTTA E DR. ASTENIO CÉSAR FERNANDES.


(COM O PASTOR LINALDO GUERRA)

(COM O PASROR RAMOS)





(MÚSICO JOSÉ COSMO DE SOUSA)



(POETA ANTONIO COSTTA COM SUA ESPOSA NEIDE)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Pilar com Portas e Janelas


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       Os umbrais da casa eram simples, diferentes dos do solar em azul colonial por cuja calçada passava o escritor José Lins do Rêgo para ir ao Correio e onde morava, ainda meninota, a atriz Zezita Matos. Havia apenas uma porta e uma janela. Sair e entrar pela janela somente eu fazia; usava a porta aos olhos dos pais ou quando íamos a algum passeio e à missa aos domingos. Se chovia em Pilar, imaginava caindo chuva também em todo o mundo porque, naquela pequena cidade,  se encerrava todo o meu mundo: pular a janela significava sair para esse mundo de ruas avizinhadas, mas longas e distantes na imaginação de menino.  A mãe Lia dizia: “quem pula janela foge de casa”. Enfrentava essas aventuras proibidas, sob ameaça de castigo, mas só possíveis “fugindo” pela janela.  A chuva fechava a janela, trancando-me em casa, impedindo-me de sentir o cheiro da terra, pisar poças d’água, tomar banho de biqueira ou vagar pelos becos lavados.

      Sair pela porta, depois do banho e de roupa trocada, significava, com advertências, brincar na calçada sob as vistas do pai Inácio, como na tarde de pegar tanajura, gritando: “cai, cai, tanajura, que é tempo de gordura”.  A cadeia e a igreja de Pilar disputavam as maiores distâncias da cidade, confrontando-se, uma vendo a outra, mas como eram longe!  A cadeia, contava a lavadeira Rita de Joselino, “era casa e tinha abrigado o rei e sua corte”. Anos depois, corrigiu-me a escola de que se tratava do Imperador Dom Pedro II que, em 1859, com toda pompa e circunstância, resignou-se à simplicidade do lugarejo. Maior importância dava eu aos presos, alguns trazidos da roça, “bandidos” como os “fora da lei” do faroeste assistido no Mercado, embora o delegado da cidade não usasse a pose nem a estrela do xerife do cinema. Espiava pelos buracos quadriculados da enorme janela, fechada pela grade de ferro, pintada de verde, agarrada pelas mãos prisioneiras desejosas de liberdade e, como eu, de escapar pela janela.  A prisão encorajava aproximar-me daqueles “homens perigosos”, com caras de gente bruta, mais parecidas com a vingança do que com o arrependimento.
     
       Lamentável é vermos portas e janelas dos antigos casarões da nossa cidade sendo substituídas por tijolos de oito furos e cimento, afrontando a memória da rua, dos que entraram e saíram por elas ou dos que conquistaram amores decotados nelas debruçados. Saudade das velhas casas, não apenas por serem antigas, mas sobretudo,  casa  que, para ser casa, tenham portas e janelas...

DAMIÃO RAMOS CAVALCANTI
(Da Academia Paraibana de Letras)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

HOMENAGEM A JOSÉ LINS DO REGO, NA SEMANA DE SEU ANIVERSÁRIO

HINO OFICIAL DE PILAR

Devemos valorizar nossos artistas enquanto estão vivos

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