segunda-feira, 26 de março de 2018

ANTONIO COSTTA - POEMAS PILARENSES


  ACRÓSTICOS COM O NOME PILAR

P alco encantador da lida,
I nspiração sem cessar,
L ibelo da Paraíba,
A urora da minha vida,
R emanso do meu luar!

P aixão e amor sem par,
I nício do caminhar,
L argueza de sentimento,
A ltura de pensamento,
R epouso do meu sonhar!

P razer em te contemplar,
I nefável emoção,
L uz brilhante do luar,
A lvorecer singular,
R efúgio de amor, paixão!

P opulação exemplar,
I rmandade hospitaleira,
L ugar melhor de morar,
A qui se procura amar,
R espeitar a vida inteira!

P aisagem da minh’ infância,
I napagável lembrança,
L ugar de amor e de paz...
A urora dos ideais,
R evigoro da esperança!

P ertinente na história,
I mportante trajetória,
L egado de liberdade...
A udaz em prol da verdade,
R efulgente na memória!

P assado de muita glória,
I nstante de gran disputa,
L embrando tua rica história
A spiramos a vitória,
R ompendo toda esta luta!

P equena terra gigante,
I magem da poesia,
L iteratura marcante,
A  tua história é brilhante,
R eluz em nós todo dia!...

P ortal de amor e de glória,
I nspiração sem medida,
L ins do Rego fez história
A o escrever sua memória,
R omanceando sua vida.

P alco de encantos mil,
I ndelével mãe gentil,
L ibelo de amor profundo,
A  melhor terra do mundo,
R ecanto do meu Brasil!

P oetizar-te não canso,
I mensidão de prazer,
L evo comigo teu canto,
A qui e por todo recanto,
R ecordo enquanto viver!

P ilar meu berço querido,
I nscrito numa canção,
L onge de ti a saudade
A umenta a vontade de
R eencontrar o meu chão.

P atrimônio do Brasil,
I rrevogável memória,
L ibertária varonil,
A dorável mãe gentil,
R adiante na história.

P ainel de luz, poesia,
I ncontáveis teus encantos,
L ar de amor e de alegria,
A urora de um novo dia,
R esplandecer de meus cantos.


P alavra que me acompanha,
I ntegrada ao coração,
L uz divina que me assanha,
A lvorada que me apanha, 
R adiante de paixão!

P arnaso da poesia,
I nspirada melodia,
L egitimada cultura,
A qui tem literatura
R eluzindo todo dia.

P alço de amor e amizade,
I luminada união,
L imiar da liberdade,
A ltar da integridade,
R efúgio do coração!

P aixão e amor consagrados,
I mpolutos sentimentos,
L ugar onde os namorados
A ndam mais apaixonados,
R adiantes pensamentos.

P avilhão da gran cultura,
I ncontáveis seus talentos,
L iteratos, com fartura,
A utores de verve pura,
R epletos de sentimentos.

— Antonio Costta

***

BEM VINDO À PILAR

Seja bem vindo à Pilar,
Terra de Zé Lins do Rego
Que contou a nossa história
Para o mundo ter apego.
Hoje aqui em seu Caminho
Receba nosso carinho,
Nosso amor, nosso aconchego!

Seja bem vindo à Pilar,
Terra de valor profundo,
Sua história é singular,
Pois encanta todo mundo.
Brilhante tal qual estrela,
Fez questão de conhecê-la
Até Dom Pedro Segundo!

Seja bem vindo à Pilar,
Terra de Manoel Xudu,
Um poeta repentista
Que cantava sem lundu,
Que tirava da cachola,
Ao dedilhar a viola,
O canto do uirapuru!

Seja bem vindo à Pilar,
Terra de Zé Augusto Brito,
Que foi cronista e poeta
Do soneto mais bonito;
Que escreveu coisas tão belas:
Pilar, Vidas Paralelas,
Que hoje habita no infinito.

Seja bem vindo à Pilar
De Damião Cavalcanti
E de Frutuoso Chaves,
Outro cronista brilhante;
Pilar da prosa e da rima
E de Frederico Lima,
Outro escritor importante!

Seja bem vindo à Pilar,
Terra de gran tradição,
Do cirandeiro Raminho,
De Del Pilar, artesão,
De quadrilha que encanta
E de Dona Odete que canta
Coco de roda, no chão!

Seja bem vindo à Pilar
Onde a música repousa
Nas cordas do violão
De José Cosmo de Souza.
Terra de mui estrelatos,
Pilar de Zezita Matos,
Atriz que brilha, que ousa!

Seja bem vindo à Pilar,
Onde a cultura acontece,
Lugar onde a poesia
Em cada canto floresce;
Terra formosa e dileta
Que presenteia o poeta
Co’ inspiração que merece!

Seja bem vindo à Pilar,
A pequenina gigante,
Que reluz na sua história
O brilho de um diamante,
Que congrega nos seus trilhos
Mil vagões de amor dos filhos,
Fazendo-a mais importante!

Seja bem vindo à Pilar,
À nossa terra querida,
Que está de braços abertos
Pra lhe receber na lida
Com sua gente hospitaleira.
Quem visita esta ribeira
Não quer mais sair na vida!


Antonio Costta

***

TROVAS PILARENSES

Eu sou filho do Pilar,
Meu torrão, meu aconchego;
Como amo este lugar,
Terra de Zé Lins do Rego!

Pilar terra abençoada,
Melhor recanto do mundo!
É minha terra encantada
Que não esqueço um segundo.

Minha terra é pequenina,
Mas encanta o mundo inteiro,
Pois Pilar em prosa e rima
Honra o solo brasileiro!

De prazer minh’alma canta
Quando vejo o meu Pilar;
Saltam versos da garganta
Sem vontade de parar!...

Quem nunca escreveu um verso
Em Pilar fica inspirado,
Contemplando o universo
De Zé Lins com seu passado.

Faço um verso de repente,
De repente faço um verso;
Só pra cantar minha gente,
Meu torrão, meu universo!

Pilar terra nordestina,
Meu rubi, meu diamante;
É tão bela e pequenina,
Mas, pra nós, ela gigante!

Pilar, meu torrão amado,
Que Deus me deu como berço,
Quero sempre ‘stá ao seu lado,
Dedicando amor e apreço!

Oh terra da minha infância!
Da juventude também;
Faz-me sofrer a distância
Quando não ‘stou com meu bem!

Oh minha jóia brilhante,
Oh minha terra querida!
Cantar-te-ei cada instante
Com todo amor de minh' vida.

Não trouxe um pouco de terra
Da minha terra pra mim,
Mas no meu peito se encerra
Pilar inteira, sem fim!

És a terra que prefiro,
Que Deus me deu como minha;
Como escreveu Casimiro:
“Hei de fazê-la rainha”!

Antonio Costta

***

SALVE TERRA DO PILAR!

Salve terra do Pilar!
Salve terra tão querida
Que no Vale do Paraíba
Tem história pra contar.

Salve terra do Pilar!
Torrão de valor profundo
Que até Dom Pedro Segundo
Fez questão de visitar!

Salve terra soberana!
Que já teve em seu passado,
Pela várzea, espalhados,
Quarenta engenhos de cana!

Salve terra de hombridade!
Que lutou, sem ter temor,
Na Confederação do Equador
Em favor da liberdade.

Salve terra do Pilar!
De poetas, escritores,
Terra de tantos valores
Que dá gosto de contar.

Salve terra do Pilar!
Meu torrão, meu aconchego,
Terra de Zé Lins do Rego,
Romancista popular!

Salve terra do Pilar!
Terra de Manoel Xudu,
Mais ligeiro que um nabu,
Um gênio do improvisar.

Salve terra do Pilar!
De primores que acredito,
Terra de Augusto Brito,
Um poeta singular.

Salve terra do Pilar!
De Damião Cavalcanti,
Outro poeta brilhante
Que valoriza o lugar.

Salve terra que a gente ama!
Terra de filhos tão gratos;
Terra de Zezita Matos,
Do teatro, a grande dama.

Salve a terra de Odete
Que canta coco de roda,
Sem se ligar para moda
Que o mundo todo repete.

Salve terra onde se encosta
A beleza do universo!
Que me inspira cada verso,
Onde assino: Antonio Costta.

Antonio Costta


terça-feira, 13 de março de 2018

José Lins do Rego (José Lins do Rego Cavalcanti) foi romancista e jornalista. Nasceu no Engenho Corredor, Pilar, PB, em 3 de junho de 1901, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 12 de setembro de 1957.
Filho de João do Rego Cavalcanti e de Amélia Lins Cavalcanti, fez os primeiros estudos no Colégio de Itabaiana, PB, no Instituto N. S. do Carmo e no Colégio Diocesano Pio X de João Pessoa. Depois estudou no Colégio Carneiro Leão e Osvaldo Cruz, no Recife. Desde então revelaram-se seus pendores literários. É de 1916, o primeiro contato com O Ateneu, de Raul Pompéia. Em 1918, aos 17 anos, José Lins travou conhecimento com Machado de Assis, através do Dom Casmurro. Desde a infância, já trazia consigo outras raízes, do sangue e da terra, que vinham de seus pais, passando de geração em geração por pessoas ligadas ao mundo rural do Nordeste açucareiro.
Passou a colaborar no Jornal do Recife. Em 1922 fundou o semanário Dom Casmurro. Formou-se em 1923 na Faculdade de Direito do Recife. Durante o curso, ampliou seus contatos com o meio literário pernambucano, tornando-se amigo de José Américo de Almeida, Osório Borba, Luís Delgado e Aníbal Fernandes. Sua amizade com Gilberto Freire, na volta em 1923 de uma  temporada de estudos universitários nos Estados Unidos, marcou novas influências no espírito de José Lins, através das ideias novas sobre a formação social brasileira.
Foi nomeado em 1925 promotor em Manhuçu, MG, lá não se demorando. Casado em 1924 com D. Filomena (Naná) Masa Lins do Rego, transferiu-se em 1926 para a capital de Alagoas, onde passou a exercer as funções de fiscal de bancos até 1930 e fiscal de consumo de 1931 a 1935. Em Maceió, tornou-se colaborador do Jornal de Alagoas e passou a fazer parte do grupo de Graciliano Ramos, Raquel de Queirós, Aurélio Buarque de Holanda, Jorge de Lima, Valdemar Cavalcanti, Aloísio Branco e Carlos Paurílio. Ali publicou o primeiro livro, Menino de engenho(1932), obra que se revelou de importância fundamental na história do moderno romance brasileiro. Além das opiniões elogiosas da crítica, sobretudo de João Ribeiro, o livro mereceu o Prêmio da Fundação Graça Aranha. Em 1933, publicou Doidinho, o segundo livro do “Ciclo da cana-de-açúcar”.
Em 1935, já nomeado fiscal do imposto de consumo, José Lins do Rego transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde passou a residir. Integrando-se plenamente no ambiente carioca, continuou a fazer jornalismo, colaborando em vários periódicos com crônicas diárias. Revelou-se, então, por essa época, a faceta esportiva de sua personalidade. Sofrendo e vivendo as paixões desencadeadas pelo futebol, o esporte de sua predileção, foi grande torcedor do Flamengo. Exerceu o cargo de secretário-geral da Confederação Brasileira de Desportos de 1942 a 1954.
Romancista da decadência dos senhores de engenho, sua obra baseia-se em memórias e reminiscências. Seus romances levantam todo um sistema econômico de origem patriarcal, com o trabalho semiescravo do eito, ao lado de outro aspecto importante da vida nordestina, ou seja, o cangaço e o misticismo. O autor desejaria que a sua obra romanesca fosse dividida: “Ciclo da cana-de-açúcar”: Menino de engenho, Doidinho, Banguê, Fogo morto e Usina; “Ciclo do cangaço, misticismo e seca”: Pedra Bonita e Cangaceiros; “Obras independentes”: a) com ligações nos dois ciclos: O moleque Ricardo, Pureza e Riacho Doce; b) desligadas dos ciclos:Água-mãe e Eurídice.
Recebeu o Prêmio da Fundação Graça Aranha, pelo romance Menino de engenho (1932); o Prêmio Felipe d’Oliveira, pelo romance Água-mãe (1941), e o Prêmio Fábio Prado, pelo romance Eurídice (1947).
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Alguns desenhos de José Lins do Rego desenhados pelo pilarense Antonio Costta:






HINO OFICIAL DE PILAR - cantado por Jordânia Borges

HINO OFICIAL DE PILAR- cantado por José Cosmo de Souza

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